Nós até aceitamos os casamentos entre homossexuais, desde que sejam entre um homem e uma mulher.

sexta-feira, dezembro 31, 2004

O Sr. 14º (para supersticiosos)

A malta janta, almoça. Faz falta, é preciso. Mais do que uma necessidade, a ‘’jantarada’’ serve para reunir os amigos, cortar na casaca de quem não está, berrar, discutir, comer, beber, saltar, enfim, consubstanciar a essência da cultura portuguesa à mesa em escassas horas.
Havendo quem acredita no azar e na sorte, o que fazer quando para jantar se acomodam 13 pessoas à mesa?
Existem agora uns gajos que criaram um novo conceito de prestação de serviços.
O Sr. 14º .
Assim, já estou a ver em restaurantes e casas de todo o país.
Anfitrião: - Oh, o Sr. Deve ser o Sr. 14º, entre. Entre e sente-se, esta é a família Meireles, esta é a família Silva.
Sr. 14º: - Boa noite, boa noite, bem ‘tá a despachar que eu hoje ‘tou a fazer o serviço sozinho, que o meu colega adoeceu e ainda tenho ‘dir a um restaurante a Massamá...

Relações (Está tudo acabado, ‘’Seinfeld’’)

É da natureza das coisas o estabelecimento de relações entre as pessoas. As relações pessoais são as mais gratificantes, mas também as mais problemáticas.
A descoberta do(a) companheiro(a) é uma aventura e muitas vezes corre mal. O que fazer quando o fim se aproxima, quando a presença de outrém é absolutamente insuportável?
O rompimento, a quebra, a ruptura é inevitável. Várias são as patranhas que nos surgem no pensamento nesta altura crítica. A eterna desculpa: ‘’Não és tu, sou eu, o problema não és tu, sou eu...’’ (George desenvolve esta teoria magistralmente in Seinfeld)
Ele: Realmente tenho pensado e a nossa relação não se está a desenrolar como previa.
Ela: O quê?
Ele: Pois, sabes, o problema não és tu, sou eu...
(aí está, lançada a patranha...)
Ela: Então mas que tens? Posso ajudar?
(primeira dificuldade)
Ele: Gostava que me ajudasses, mas eu não deixo que ninguém me ajude...
(bem continuado, a teoria ganha força)
Ela: Mas não percebo, estava tudo tão bem...
(ainda ontem tinham feito o amor a tarde toda...)
Ele: Efectivamente, aparentemente sim, mas eu sou um tipo complicado.
(e gosta tanto de miúdas hábeis na prática do sexo oral)
Ela: Complicado?
Ele: Sim, complexo, tenho estados de alma
(alegando insanidade, pode ser que pegue...)
Ela: Então mas o que estás a tentar dizer?
(lágrima surgindo? Não, esta é das fortes...)
Ele: acho melhor não investirmos mais nesta relação, acho melhor ficarmos por aqui...
(momento da verdade)
Ela: Não.
Ele: Não?
Ela: Não!
Ele: Mas está tudo acabado, eu quero acabar!
(por esta não esperava... uma simples palavra abala toda a construção lógica)
Ela: Não!
Ele: Mas vá lá...
Ela: Não!
Ele: Mas eu estou a acabar!
Ela: Não!
Parece que as relações não são resolvidas unilateralmente... é necessário o acordo das partes...

quinta-feira, dezembro 30, 2004

A Inocência da Infância

As crianças são objectivas, cruéis, precoces, cada vez mais espertas.
No outro dia, na fila do banco, uma senhora acompanhada pelo seu rebento sardento, esperava a sua vez de ser atendida e o pequeno traquinas não parava quieto.
A senhora, cheia de paciência advertiu-o duas vezes. A impertinência da criança manteve-se e à terceira pregou-lhe um valente estalo.
O petiz, temendo pela sua integridade física, num misto de crueldade e desgosto, soltou:
‘’ Se voltas a fazer isso digo às pessoas todas que chupas a pilinha do papá todos os dias de manhã’’!
Encantadoras as crianças...

No Metro

É curioso o comportamento do ser humano, quer em publico, quer em privado.
Dado que o conceito de ‘’privado’’ implica uma não ingerência e não observação da vida alheia, somos obrigados a observar o comportamento humano num ambiente público.
Ora mais publico que os transportes públicos, só mesmo o jornal diário e é no metro que observamos as cenas mais caricatas. Podemos observar como o Homem é um animal que se movimenta em grupo.
Como?
Quando entramos no metro, validamos o bilhete e vemos alguém que corre em direcção à estação, desatamos, acompanhados de 500 pessoas a correr também, na ânsia de apanhar o próximo comboio.
Pura ilusão...
Qual não é o nosso espanto quando, a pessoa que seguíamos, pensando erradamente que corria para o comboio, abraça um amigo de longa data que avistara ao longe...
Grande é a desilusão...
Lá esperamos pelo comboio que chega, entramos, empurramos, lá sentamos ao lado de três senhoras que conversam animadamente.
‘’Ai o meu joanete tem dado sinal de si’’...
‘’Ai a minha coluna não me deixa dormir’’
‘’Ai tenho afrontamentos...’’
Nestas alturas apetece ter o telefone das senhoras e ligar, pela hora do jantar, saber se estão melhores... perguntar pelo filho que está na bósnia, pela cunhada que tem uma infecção urinária ou pelo neto que engoliu uma peça de lego...
No entanto, temos que esperar por outro encontro no metro e satisfazer a nossa curiosidade altruísta, indagando pelos achaques e desgraças que assombram os habitantes dos transportes públicos.